7.3.08
O domínio do mundo pelos Kinks
À primeira vista, boa música e multinacionais cinzentonas não se conjugam...
mas no youtube, como na mala do Sr.Oliveira da Figueira dos livros do Tintin, encontra-se de tudo...
É estranho ouvir uma das minhas músicas favoritas ("I'm Not Like Everybody Else" dos Kinks"), que fala de inconformismo e individualismo, a servir de fundo a uma campanha institucional... mas saúdo o bom gosto dos criativos publicitários.
Já a escolha de "Picture Book" (outra pérola de Ray Davies) como banda sonora para um anúncio de máquinas fotográficas faz todo o sentido e choca menos.
Fica aqui o desafio aos colegas de blog e aos nossos leitores para deixarem sugestões de anúncios ilustrados com músicas da sua preferência.
Até breve!
26.6.07
Mesmo mesmo mesmo irritante
26.5.07
Control
13.4.07
Abanar o rabo e assobiar
Vejam isto:
Peter, Bjorn & John - Young Folks
Como se consegue ser tão imbecil e genial ao mesmo tempo?
8.4.07
Psyradio/Chill
3.4.07
Invader Tron
13.3.07
Outro You Tube
12.3.07
While my eyes go looking for flying saucers in the sky
As cidades grandes são para descobrir a pé e a pé ao som de música. As batidas marcam as passadas e os locais ficam marcados por uma banda sonora. Obrigado à Teresa por ter contribuido para esta: Klaxons, The Dears, Daniel Johnston, The Noisettes (esta foi minha. Reparei com agrado que já estavam a bombar nas lojas apesar de serem publicitados como a resposta britânica aos Yeah Yeah Yeahs ... pequeno exagero).
Diga-se em abono de toda esta exaltação com "london, london" (música de Caetano e uma excelente interpretação de Cibele com Devendra) que nesse fim de semana tocavam Jarvis Cocker a solo e Judy Garland reencarnada em Rufus Wainwright. Infelizmente certa cultura só se usufrui comprando bilhetes antecipadamente.
5.3.07
A arte da fuga
3.3.07
Ó vizinho e a novela?
Este texto de apresentação do projecto Deolinda Lisboa descreve bem o espírito deste grupo: partindo de um género (fado) não muito fácil e algo fechado, conseguem criar óptimas canções, que nos falam de episódios do nosso quotidiano e da cidade em que vivemos, utilizando inteligência, bom gosto e um humor muito próprio.
Em palco, como se comprovou na passada sexta.feira no "Sítio do Cefalópode", passaram o teste com distinção: duas guitarrras clássicas, um contrabaixo e uma voz talentosa, foram os ingredientes suficientes para proporcionar um excelente concerto. Se com canções como "Movimento perpétuo associativo" e "Procissão" revelaram o seu lado mais humoristico,, foi com duas canções ditas "sérias" e mais afastadas do registo fadista, "Não sei falar de amor" e "Clandestino", que mais brilharam.
Num mundo cada vez mais uniformizado e cinzento, sabem bem ouvir projectos genuinos como este.
Não haverá por aí um editor visionário que os queira editar? Os nossos ouvidos agradecem desde já...
Mais pormenores sobre a banda e informações sobre futuros concertos em http://www.myspace.com/deolindalisboa
"Ó vizinho e a novela?será que ele ficou com ela?e eu não sei falar de amor..".
Aqui fica "Não sei falar de amor".
15.2.07
In the mood for love
14.2.07
Espalhar a Palavra
Lia Mojo de Janeiro que o Neon Bible começou no meio de a tournée de 2005, num deserto de New Mexico, no meio de um vazio criativo e cansaço de concertos, escrevem "My Body is a Cage" e comprendem que querem dar o passo para o segundo trabalho. Regressam a Montreal e compram uma igreja, onde vão montar um estúdio de gravação.
Em comparação ao Funeral, Neon Bible está bem mais equilibrado. Penso que um alinhamento conseguido influencia tanto o prazer que temos em o ouvir. Se no anterior o início era muito explosivo, aqui "Black Mirror" marca o tom para uma sucessão certa de momentos violentos e tranquilos . As orquestrações continuam impressionantes, a utilização de uma profusão de instrumentos (onde se destacam a orquestra sinfónica de Budapeste em "No cars go" ou em "Keep the car running", ao lindíssimo órgão de "Intervention") acrescenta tantas matizes aos temas que os tornam ricos e sempre um pouco diferentes a cada audição.
A palavra fé aqui não é displicente. Neon Bible fala de forças que nos ultrapassam, do medo, da dúvida, da guerra, de falsos sentimentos, de falsos cristãos. Aquele que segue tantos preceitos na Igreja e que se esquece de os cumprir em casa. Neon Bible fala também de impotência perante a vida e das nossas escolhas, um oceano de violências feito com as melhores das intenções, como em "Ocean of Noise" (a minha preferida, por hoje). Não deixem de espreitar o fabuloso site http://www.neonbible.com/, onde se pode ler as letras, antecipar o grafismo do álbum, a inspiração da fábula de La Fontaine. Um manobra de marketing bem montada e isso também não é nada displicente.
25.1.07
O'queStrada
24.1.07
MPB.pt
No livro "MPB.pt" (editora "Tinta da China") constam transcritas 16 entrevistas a músicos brasileiros concedidas ao programa de rádio "Pessoal e ...Transmissível" , da responsabilidade do jornalista Carlos Vaz Marques e emitido pela TSF.
Entre os entrevistados, para além de nomes consagrados como Chico Buarque, Milton Nascimento e Caetano Veloso, encontramos outros músicos não tão divulgados entre nós mas de excelente qualidade, como Edu Lobo, Chico César, Tom Zé e Hermeto Pascoal, provando que o filão da música brasileira é inesgotável.
Trata-se de um livro cuja leitura recomendo vivamente, para quem se interessar por música brasileira (ou, melhor dizendo, para quem gostar de música): podemo-nos deliciar com episódios como o encontro de Hermeto Pascoal com Miles Davis, a incapacidade do grande Tom Zé para fazer "canções bonitas", a recusa de Edu Lobo em aceitar o titulo de sucessor de Tom Jobim, o impacto que Ray Charles teve num jovem Milton Nascimento, ...entre muitos outros episódios.
O livro é acompanhado por um CD Audio, com excertos das entrevistas transcritas. No site da TSF, constam algumas entrevistas para audição: para despertar o apetite, sugiro a audição da entrevista a Tom Zé.
Aqui fica Elis Regina, cantando "Upa Neguinho, de autoria de Edu Lobo. Boas músicas para todos!
19.1.07
Dançar na favela

Em Paris não há favelados mas gosta-se de dançar como um. De fim de semana na cidade tive a sorte de sair com um quase nativo para tomar uns copos e conhecer a noite. Se ao escrever isto reparo na emergência de uma faceta de Vitór Rainho que desconhecia (que Vitór??? Um fulano que escreve uma página "interessantíssima" no Tabu/Actual sobre a "noite" portuguesa. Sempre me surpreendeu quantas linhas se podem encher sobre casas cheias, caras bonitas, copos, a própria expressão "noite". Nunca ninguém diz estou no "dia". E no entanto, agora sou eu a escrever sobre o mesmo. Ironia.). O certo é que me tenho apanhado em sítios novos, música e gente diferente que me levam a concluir que isto da "noite" até tem alguma coisa que se lhe diga. Enviarei o cv.
Favela chic antes de ser bar (ou depois, porque o bar abriu primeiro em Paris em 95 sendo mais tarde fanchisado para Londres), é também um sub género musical. Um mix de samba e funk carioca que tanto te pode pôr a dançar Seu Jorge como o Bonde do Tigrão. O espaço, uma sala absolutamente banal, destaca-se pela profusão de santinhos e quadros de Cristo e Maria de ar meloso e coração palpitante que lançam o seu ar piedoso sobre a mescla de corpos que se dilui na pista (vulgo mesas e espaço em frente ao balcão). Outro sinais do chic favelado são as havaianas a 12 Euros e caipirinhas a 10. Uma das coisas mais notórias neste conceito é que a distância de segurança que qualquer português está habituado a encontrar nas casas nacionais aqui é simplesmente ignorada. A expressão todo ao molho, aplica-se. O que de certa forma é muito libertador. Como não há espaço, ninguém se preocupa muito como danças que permite dar uma oportunidade à Jennifer Beals que habita em nós para se expressar. Notei ainda que a arte de um bom Dj faz uma pequena multidão acelerar. Nunca pensei que um scratching bem aplicado ao "Boys don´t cry" causasse tanta comoção entre a assistência. Se passarem por Paris, não se esqueçam de ir à Favela.
13.1.07
Primeira “Cornetada”
É chegada aquela altura do ano em que fazemos um balanço do que passou e planeamos o que queremos fazer.... Assim sendo, e no meio da minha longa lista de coisas a fazer, está uma muito importante:
O convite da Sofia para colaborar aqui com a Corneta, que surgiu na sequência das nossas longas conversas a caminho do curso de Cinema.... E de chegarmos à conclusão, que mesmo agora que deveriamos ser adultas bem comportadinhas, que supostamente só teriamos conversas sobre coisas sérias, continua a fazer todo o sentido do MUNDO, falar, partilhar e vibrar com uma das nossas grandes paixões, a MÚSICA....
Desta forma, cá estou eu, aceitei o convite e este é o 1º post :)
Vou começar por partilhar algumas das descobertas que fiz em 2006. Isto porque, também eu, à semelhança do comum do mortais tenho os meus Tops, confesso que tenho algumas parecenças com o Rob Gordon (personagem central do filme e livro "High Fidelity") - o gajo tinha um Top 5 para tudo....
Hoje trago aqui os vencedores na categoria de melhor Coreografia do ano
São eles - os OK GO, a música é fixe, não tem um som inovador, mas os passinhos de dança destes meninos....Hum, como dizer....são diferentes....Estão muito à frente
Ora vejam aqui:
Sofia, depois disto ainda queres ir à dança do ventre??? Pensa bem...
Ciao
10.1.07
Entretanto

Enquanto espero novos posts (até de novos colaboradores!), vou cumprindo os meus dois posts semanais estabelecidos pelo contrato de pré-época. Divirto-me com o lettering da Corneta. Se ontem estava Sex Pistols hoje recebe uma clara inspiração Daft Punkiana. Iron Maiden, quem sabe, amanhã.
Ontem, por razões que agora seriam laboriosas aqui desenvolver (que se prendem com o facto de estar "presa" ao mesmo canal há uma semana) tive oportunidade de ver The Filth and The Fury, documentário realizado por Julian Temple sobre os Sex Pistols em 1980, dois anos após o fim da banda. Não só é partir a rir, desde os começos aúreos a roubar o equipamento do backstage do David Bowie, mais histórias de bebedeiras e incongruências em geral, como permite "colar" uma série de acontecimentos dispersos que tens sobre a história do rock dessa época. E a história dos Sex Pitols grassa, sem dúvida, do descontentemento (não propriamente da classe trabalhadora porque os gajos eram uns indigentes, mas da probreza gerada pelo desemprego), da falta de horizontes, do assumir que nunca passarão de uns inadaptados. Aliás, nem por acaso, surge a citação de Ricardo III "Now is the winter of our discontent/Made glorious summer by this sun of York", entre outras menções a Harold Pinter. Essa e o processo moroso de encontrar letras, onde Anarquist foi escolhido apenas por ser a única palavra capaz de rimar com Anti-Christ, tornam este documentário delicioso. E o fim ditado por Nancy namorada de Sid (sua fornecedora de heroína, ex dos New York Dolls). É que é a apoteose de todo o cliché rock (que por acaso até aconteceu). Já não se fazem histórias assim.
7.1.07
May day
Em 2003 havia poucos blogs, muito menos blogs sobre música. Vindos [o Bruno, a Sofia e o Tiago] do Festival Meco onde acabaramos de assistir a uma actuação muito mazinha do dito artista resolvemos criar um blog ditado por uma única regra escrita - Moby free (ou pelo menos Moby longe da guitarra). Entretanto, o Moby morreu de causas naturais (um disco fraquinho afastaram-no do mainstream) e como a idade amolece qualquer um, abraçámos um estilo mais ecuménico: afinal respeitam-se todos os gostos. Além disso o Yoda gosta do Moby. Por isso, consciente de que esta vai de certeza ser uma casa para muitas músicas e muitos estilos, nada melhor que começar por partir os tímpanos com algo nos antípodas do new age electrónico.
A música dos Spektrum é infecta, ruidosa (disco-punk , funk com beats descordenados), batida excelente para dançar, para colocar no i-pod para correr ou caminhar pela cidade. Se gostarem procurem o "Breaker" do álbum de 2004 «Enter The…Spektrum».
Ainda temos que acabar de dar uma limpeza geral ao ar vintage corneta, mas as postagens espero que agora sejam mais frequentes.
15.11.06
Esta é uma pequena (?) heresia para com o espírito deste blogue, que assim deixa de ser Moby free. Este tema aparece no excelente filme "A praia", de Danny Boyle, o mesmo de "Trainspotting".
Silenciosa Corneta (2)
There are ears that hear but they don't recall.
The Hunt, Sepultura.
Silenciosa Corneta (1)
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one deared
Disturb the sound of silence.
The Sound of Silence, Simon and Garfunkel.
5.11.06
Já aqui gabei o excelente "Sea Change" do camaleónico Beck. Nada como um pouco de paz depois do bulício associado aos posts anteriores.
Breakcore na Finisterra
http://dezkalabro.blogspot.com/
http://samizdataclub.blogspot.com/
http://espacoespaco.blogspot.com/
Dev/Null
O breakcore é sem dúvida um dos estilos de música mais criativos que surgiram nos últimos tempos e nele destacam-se, entre outros, Xanopticon, Duran Duran Duran ou Venetian Snares.
Nestes tempos em que o Youtube é moda, posto aqui um excelente trabalho de controlo de feedback, por Rafael Toral. Parece-me que o músico está a trabalhar com um pequeno microfone e um amplificador Marshall dos mais pequenos. Agora que penso nisso, tenho esse material cá em casa...
27.10.06
For relaxing times, make it Santori times
Já é de 2001, mas também o inesquecível "Lost in Translation" é de 2003 e está em reposição no Quarteto; o tema "More than this" interpretado pelo gigante Bill Murray é simplesmente genial.
5.1.06
Best of 2005
Porém, perdido nestas considerações dou-me conta que mesmo que me desse vontade de nomear os 10 melhores de 2005, não seria capaz de o fazer, de tal forma tenho andado alheio ao que se vai passando.
Ainda assim, e olhando para as listas que polulam em suplementos de cultura, blogues e sites musicais afins, dou-me conta que na essência anda tudo à volta do mesmo e que moda é moda e portanto este é o ano dos LCD Soundsystem.
Não querendo contrariar só por contrariar, dou-me também conta que do pouco que ouvi, aquilo de que gostei mesmo não aparece nas listas “dos outros”.
Por isso a Corneta apresenta aqui o seu reduzido best of 2005, em 3 categorias:
Categoria “discos que rodaram incessantemente no carro em 2005”

Out Hud – Let Us Never Speak Of It Again (excelente e muito underrated)
The Juan Maclean – Less Than Human (excelente e, sendo da DFA, na minha opinião é melhor que o LCD Soundsystem)
Categoria “descobertos em concerto e por acaso são muito bons”

Nils Petter Molvaer – Er (muito bom disco, excelente concerto no CCB)
Wibutee – Playmachine (por acaso é de 2004, mas o concerto foi em 2005 e foi excelente)
Categoria “bizarria do ano”

Ennio Morricone – Crime and Dissonance (composições dos anos 60 / 70 – tal como o título indica, é bastante dissonante...)
14.12.05
Sigur Ros @ Coliseu 2005-11-20



Correcção: como o amigo JF tão bem assinalou, o 2.º concerto foi de facto no Coliseu e não na Aula Magna. Mas foi com as cadeiras montadas e por isso estava lá menos de metade dos espectadores que no 3.º. Pela incorecção, A Corneta apresenta as suas desculpas.



